Apresentação

Esse blog apresenta um dedicado trabalho histórico e fotográfico sobre algumas localidades de São José do Rio Pardo. Produzido integralmente pelo professor de História Marcelo Augusto da Silva, ele é o resultado de uma rica pesquisa, que tem por intenção deixar registrado e divulgar a todos a riqueza cultural, histórica e arquitetônica que compõem o município de São José do Rio Pardo. Num momento em que muitas pessoas valorizam demasiadamente tudo que é volátil, que o individualismo toma conta de quase todos, e que o patrimônio histórico rio-pardense vai literalmente ao chão em nome do "progresso", esse projeto tenta regastar a memória do que é a cidade e também daqueles que contribuíram para que ela existisse. Nesse trabalho, muito material foi pesquisado, principalmente antigos jornais, cuidadosamente organizados na Hemeroteca rio-pardense, que foram lidos e relidos. O resultado é uma realização única e de grande valor cultural ao alcance de todos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

São José do Rio Pardo: seu nascimento, sua história.

A formação de São José do Rio Pardo inicia-se no começo do século XIX e está intimamente ligada a produção cafeeira, cuja fertilidade do seu solo atraiu muitos produtores para cá.
A atividade cafeeira originou uma categoria de agricultores muito ricos - a aristocracia rural - que exerciam grande influência na região onde se encontravam instalados. Conhecidos como os barões do café, eles formavam uma espécie de poder local e comandavam a vida política, social e econômica. Nesse período o Brasil ainda vivia como uma colônia de Portugal e a mão-de-obra era a escrava. São José do Rio Pardo nasceria então em meio a essa organização composta por grandes fazendas de café, coronéis e escravos.
No dia 04 de abril de 1865 um grupo liderado por Antonio Marçal Nogueira de Barros decidiram construir uma capela e estabelecer sua própria Paróquia e Câmara Municipal. Nessa época o Brasil já era independente, mas vivia-se o regime monárquico e a Igreja Católica estava intimamente ligada ao Estado, e uma capela representaria ao bairro do Rio Pardo, subordinado à vila de Caconde, a autonomia política. A criação de um município de acordo com a legislação da época se dava em quatro estágios: Capela com Patrimônio, Capela Curada, Freguesia e por fim Vila (município).
Para a construção da capela era necessário um patrimônio que fora doado por vários fazendeiros. Em 30 de outubro de 1875 a Capela com patrimônio foi elevada à Capela Curada, desligando-se da Matriz do Espírito Santo do Rio Verde.
Em 14 de abril de 1880 a Capela Curada de São José do Rio Pardo foi elevada á categoria de Freguesia, desligando-se da Vila de Caconde, passando à de Casa Branca.
A Freguesia foi elevada à categoria de Vila através da Lei 49 de 20 de março de 1885, mas uma outra lei obrigava a existência de um prédio da Câmara e Cadeira para a sua instalação. Para poder realizar a construção houve uma mobilização, na qual os rio-pardenses, levantaram a quantia necessária para erguer o prédio, onde se encontra hoje o Museu rio-pardense. Com a obra terminada a Vila foi instalada no dia 08 de maio de 1886.
No dia 08 de dezembro de 1892 foi instalada a Comarca Rio-Pardense, separando-se de Casa Branca e passando a ter vida jurídica autônoma.
Como se pode perceber no Livro de Atas das Reuniões dos Fundadores 1865 / 1874, registra-se a data de 04 de abril de 1865 como o dia da fundação de São José do Rio Pardo, mas seu aniversário é comemorado no dia 19 de março, dia do seu padroeiro e da celebração da primeira missa na Capela de São José do Rio Pardo, filial da Matriz do Espírito Santo do Rio do Peixe.
Depois de muito debate sobre a comemoração do aniversário de São José o vereador Márcio José Lauria, com base no Livro de Atas e documentos eclesiásticos, elaborou e apresentou a 19 de março de 1982 à Câmara Municipal projeto de lei estabelecendo as efemérides municipais. O projeto foi aprovado na Câmara e promulgado pelo então prefeito Richard Celso Amato.
Dessa maneira resolveu-se a questão das datas, pois a lei conciliava a data histórica de 04 de abri de 1865, constante no Livro de Atas, com a tradição e devoção do dia 19 de março.

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